Na última quarta-feira, 26/8, pouco mais de uma semana do início das aulas do semestre letivo 2009.2, ocorreu uma assembléia geral dos alunos do curso de Direito UFF.
Na pauta, previsão de vários assuntos:
I - posicionamento de Gabriel Barbosa, diretor do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, entrevistado pelo O Globo em relação ao trote, antes de consultar o colegiado e saber de seu posicionamento;
II - a essência do próprio trote, se permanece no atual formato ou se deve ser mudado;
III - posição dos alunos de Direito, quanto as matérias vinculadas nos principais jornais do estado;
O primeiro ponto foi o mais controverso. A maioria dos alunos criticaram de forma irracível as declarações dadas pelo Diretor do Centro Acadêmico ao jornal O Globo, Gabriel Barbosa, que argumentou que o jornal distorceu o que ele havia falado. quando indagado, no entanto, em qual ponto houve distorção, após a leitura das referidas declarações, Gabriel não respondeu. Foi um momento tenso esse ponto de pauta, inclusive com a intervenção de dois membros do DCE (mais pareceu tropa de choque, deslocada para fazer a defesa do diretor), no fórum máximo de deliberação soberana dos estudantes de Direito. "Não cheirou bem".
Um dos membros do DCE estava com uma bolsa que o ligava diretamente a um partido político - até aí nenhum problema, cada um tem liberdade para se filiar a qualquer vertente ideológica, salvaguardadas as devidas proporções, e expressar suas convicções políticas - a grande questão é que sabemos que o diretor do CAEV em questão , Gabriel Barbosa , guarda íntima ligação com esse partido. Sem mencionar o "clack" que foi trazido também para bater palmas e vaiar nos devidos momentos.
Ficou decido que Gabriel encaminharia uma errata ao jornal O Globo, a ser publicada em tal veículo argumentando suas que tais declarações foram distorcidas e explicando o que de fato ele desejou dizer.
Quanto ao segundo ponto, foi decido pela maioria, com certas abstenções, que o atual modelo de trote seria mantido, com o expurgo da brincadeira que causou tamanha celeuma no interior da faculdade. Entendido que o trote é um momento de integração importantes entre os alunos que acabam de ingressar na faculdade e os veteranos. Foi decidido também que na comissão de trote deverão constar, pelo menos, um membro do CAEV e outro da Associação Atlética (AAACG).
Por fim, em relação ao terceiro ponto, foi deliberada uma nota dos estudantes de Direito da UFF a ser encaminhada aos jornais, explicitando que os alunos repudiam qualquer brincadeira ou qualquer outra forma de expressão opressiva contra as minorias e que tal modelo de trote existe na faculdade há um tempo considerável e que, no entanto, nunca houve qualquer denúncia formal ou informal de calouros que tenham se sentido constrangidos ou humilhados. Em relação ao caso dessa possível garota que tenha sentido-se constrangida com uma dada brincadeira do trote, os alunos decidiram somente se posicionar após a conclusão dos trabalhos de uma comissão de sindicância nomeada especificamente para apuração dos fatos. Demonstraram profundo bom senso com essa posição, posição de verdadeiros alunos de Direito que são.
O Direito em Movimento considera as decisões tomadas na assembléia geral, com algumas divergências pontuais entre seus membros sobre determinados pontos, adequadas e em consonância com um curso de Direito do porte e da tradição como o da UFF.
De mais à mais, só nos resta e esperar, averiguar e fiscalizar a execução de tais deliberações.
Até logo.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEu não sei se foi só uma impressão minha, mas eu creio que para os integrantes do CAEV a pauta era somente o Trote em si e sua reavaliação. Eles tentaram 'jogar para escanteio' as declarações do Gabriel. O que deixou a maioria bastante indignada.
ResponderExcluirDepois de toda a revolta dos estudantes na Assembléia, o Gabriel deciciu tentar se esclarecer.
A faculdade de direito está cheia de defensores da BOA INTENÇÃO. Foi com essa BOA INTENÇÃO que o Gabriel deu a sua declaração dotada das mais diversas citações de nomes, dentre elas: atlética, caev, trote solidário e reitoria. Caros amigos, com uma INTENÇÃO AINDA MELHOR, esse alguém, que deveria representar o interesse geral de preservar a imagem da nossa faculdade, foi ingênuo e vítima de uma grande deturpação no seu discurso. Agora, venham me apontar aonde fica a SUPER ÓTIMA INTENÇÃO do Gabriel ao evitar se retratar na assembléia. Sinceramente, uma ERRATA? É isso que queremos? Acho que o Sr. Gabriel deveria refletir sobre seus próprios pilares e pensar se era isso o que fariam seus ídolos e heróis... ou quem sabe a própria Heloísa Helena.
ResponderExcluirA questão do próprio trote é complexa, visto que considero insensata tal atividade: se conquistei uma vaga pelo processo do vestibular, não me cabe provar nada mais com as brincadeiras do dito trote. Há outras formas de integração, como o Trote Solidário. Se este recebesse maior ênfase, como uma mobilização de doação de sangue, aflorariam-se caráter e maturidade nos calouros e nos veteranos. Com isso não quero dizer que sejam deficientes nesse quesito, mas que a transição da adolescência para a vida adulta não é concebida concomitantemente por todos. Penso que a estudante protagonista desse alarde não tenha tido clareza e firmeza para isentar-se do trote ou ingressar nele entendendo realmente a que o mesmo se propunha.
ResponderExcluirO injusto de toda essa situção é a parcialidade da imprensa, a inexperiência e a insanidade de seletos discentes, e sobretudo o usar da Faculdade de Direito como bode expiatório do já tradicional trote. Ele ocorre em diversas intituições, mais ou menos inconsequente, mais ou menos irresponsável, mais ou menos comprometido. Particularmente considero o trote um erro, todavia sua realização depende exclusivamente da adesão dos alunos, estando além do poder do diretor ou da faculdade.
Sendo assim, cabe a cada estudante a responsabilidade de entrar em determinada brincadeira sem conhecê-la realmente e de dar declarações publicamente quando representam algo mais que sua individualidade. Deve-se imperar os interesses da Faculdade e não as pretensões políticas de cada indivíduo.
A criminalização e a onfensa pública dirijida a todos os integrantes da Faculdade, geram preconceito e sentimento de comodismo nos alunos quanto a associação entre corrupção e o curso. Se a imprensa como formadora de opinião desacredita os jovens, como poderemos ter perspectiva para trilhar o caminho reto e mudar o mundo?